terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Marlene, entre um banheiro e vários paraísos.

clip_image002Quando alguém é convidado a sentar perto do banheiro em um restaurante, com certeza vai querer mudar de lugar. Mas existe, perto de um banheiro, uma vista deslumbrante da Lagoa, de Ipanema e do Leblon. E é nesse lugar que a MARLENE BEZERRA DE MORAIS está atendendo as pessoas que visitam o Corcovado.

Longe ficou São José dos Cordeiros na Paraíba quando em 1990 ela veio a Rio. Foi um tempo depois, em 2003 que com ajuda de alguém da família achou trabalho no restaurante do Corcovado. “Fiquei no Rio porque eu gosto muito daqui”. E logo comenta algo triste, “chegou a hora de voltar lá, minha mãe, Hilda, está com 90 anos, e me necessita”. Depois de uma breve pausa, outro lugar brilha nos olhos concorrendo com o reflexo da cidade do Rio, “Lá é um paraíso, temos João Pessoa, a segunda cidade mais verde do Brasil, com praias belíssimas”.

Ela faz parte de uma família numerosa. “Família de professores, fui criada com poucos recursos, meu pai era escrivão de cartório e trabalhou muito para dar uma boa educação aos filhos”. Onze filhos! “Agora somos só nove irmãos”. Ela é professora de ensino fundamental, hoje aposentada. Desde os 8 anos ajudou às irmãs professoras aprendendo a falar bem português e dominando a matemática. “Na minha casa existia uma continua chave de correção”, e explica a este gringo que escreve o que isso significa. “Agradeço a meu pai e irmãos essa educação, corrigindo continuamente as palavras faladas e escritas desde criança, e é por isso que eu tive carteira assinada aos 18 anos”. Confessa ter algumas saudades do contato com alunos e os pais para melhorar a educação de outros, mas considera isso algo do passado. Hoje mora no Rio das Pedras e tem namorado no Alto da Boa Vista, mas não deixa de ir a zona sul a passear, e ver de perto a paisagem que continuamente a acompanha no seu dia a dia.

Marlene tem algo em comum com os Guias de Turismo, agradece as gorgetas quando aparecem e quando não, oferece um sorriso calmo e algo tímido. “Tenho um salário, mas as gorgetas ajudam...”

Seja no Rio ou na Paraíba, a Marlene é grata de ser de lá e estar aqui, pois ela menciona só dois, mas o Brasil todo é um paraíso. E ter contacto com os estrangeiros que moram em muitos outros paraísos enriquece sua existência, sabendo que está ajudando aos visitantes assim como ajudou a tantos alunos no passado.

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Gerardo Millone, 27 de Novembro de 2010.

(Matéria sugerida pela Guia Renata Hein)

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