sábado, 20 de março de 2010

FITUR: O Brasil está engatinhando....

O futuro do turismo no mundo

João Pedro Figueira, Jornal do Brasil-18/03/2010
RIO - Mês passado aconteceu a 30ª edição da Feira Internacional de Turismo (Fitur), em Madrid, que reuniu 170 países, 12 mil empresas e mais de 130 mil visitantes.
Destaco quatro pontos que me chamaram a atenção por lá:
1. A evidência da conservação ambiental como tema definitivamente inserido na agenda do turismo internacional;
2. O uso intensivo da tecnologia da informação como veículo não só de divulgação, mas, e principalmente, como instrumento de prospecção de negócios, com impactos significativos no perfil do trabalho do trade turístico e principalmente dos agentes de turismo;
3. A presença forte da África e dos países do Oriente Médio, com estandes de Gana, Uganda, Abu Dhabi, Kuwait e Emirados Árabes e
4. As oportunidades de negócio e de visibilidade internacional perdidas pelo Brasil em razão da qualidade ruim de sua presença na Feira e do preconceito com o carnaval.
A feira reconheceu o fato com a destinação de um espaço próprio para debate do tema e para exposição de produtos voltados para o gerenciamento de energia nos hotéis, a Fitur Green, que inovou com o anúncio de metas específicas de redução no uso de energia (elevação da eficiência energética) – 20% – e aumento na utilização de tecnologias de energia renovável – 10%. As conclusões da Fitur Green estabeleceram metas objetivas, discutidas em plenário.
A tecnologia da informação, representada por diversas mídias sociais, sites, blogs, Twitter, Orkut, YouTube, demonstrou a transformação radical no perfil profissional dos agentes de viagens. Com exceção dos estandes do Ministério do Turismo do Brasil e da Embratur, quase não houve distribuição de folders em papel. Os pen drives e a divulgação maciça dos sites os substituíram em grande medida.
O Brasil deixou a desejar. Na programação da feira, não havia informação a respeito de qualquer apresentação sobre a Copa e sobre as Olimpíadas. Passamos em brancas nuvens na pauta de eventos e palestras. Não dissemos nada. Nosso país destoou de todo o resto pela falta de criatividade e uso limitadíssimo da tecnologia. Esteve igualado na dedicação de seus expositores, mas a similitude parou aí. Somente os delegados do Maranhão estavam com pen drives para divulgação do turismo local. No mais, tudo foi um culto à pré-história da informática e do isolamento no passado. Não se ouviu música, nem foi possível encontrar sambistas ou traços de nosso carnaval, veladamente censurados por medo da vinculação ao turismo sexual, o que representa uma afronta a nossa cultura. Para um país que pretende ser um grande receptor de turistas, o Brasil mostrou que está apenas engatinhando.
Enfim, a 30ª edição da Fitur deixou lições importantes para o mundo e um recado para o governo brasileiro: o turismo é um bom negócio, mas assunto para gente capaz de pensar grande, ser eficiente e não ter vergonha de suas riquezas e de sua cultura.
João Pedro Figueira é deputado estadual e presidente da Comissão de Turismo da Alerj.

Comentário do Guia Antônio Abilio
"É lamentável a atuação das autoridades Brasileiras na divulgação das enormes opções de turismo existentes no nosso país. Uma grande pena. Quando isto irá mudar? Quando é que o turismo será visto e encarado de maneira séria?"

3 comentários:

ts disse...

Joao,
Maravilhoso o artigo, e agradeco a coragem de expor a falta de iniciativa, criatividade e estrategias de marketing dos nossos orgaos de turismo governamentais.Nossas outras midias turisticas somente copiam e colam os press-releases desses orgaos, que estao sempre vanglorozindo tudo que eles fazem, sem analise e sem coragem para critica, afinal, eles sao anunciantes.
Algumas respostas, para esclarecer os seus leitores:
1) Eh mais facil super-orcar com materiais impressos do que com pen-drives.
2) A Embratur estah determinada em aumentar o turismo de negocios e eventos, e para isso, tem de extinguir com a imagem do carnaval do Brasil. Eh como se para mandar o filho mais novo para a universidade o pai matasse o filho mais velho, mais rico e pai de familia. Se a Embratur fosse boa dw marketing conseguiria promover os dois.

Se vc quiser lancar uma "paralela embratur", vamos conversar.
Cristiano Nogueira

cloepatra scouris disse...

Para mim não o Governo não me surpreende principalmente porque não há interesse na indústria do Turismo. Para o Governo o que interessa é o como ganhar muito em pouquíssimo tempo.O turismo não dá este retorno rápido. Precisamos de investimentos. Estarei aguardand sentada é claro para ver o ue será feito com obras para as Olimpíadas. Mas virei me atrever a avisar.....será feita uma maquiagem na cidade e para a Copa do Mundo também, e depois o povo continuará trocando o seu voto por uma dentadura, por um saco de cimento e até por uma cesta básica. O povo tem os dirigentes que merece pois foi este povo que os empregou.

Isabell disse...

Hahaha, muito obrigada, a menos não é a gringa que criticou!!!!
Acho que o Brazil é o único pais emergente e enorme com grande poder de desinvolvimento em muitas áreas mesmo em que a absurda maioria não fala inglês e não tem como (ou saco) de aprender com os outros paises cujos informações e truques e technologias e idéias são livremente disponíveis no internet - normalmente em inglês.
E como se o país vivesse numa bola rosa (ou verde e rosa) que de jeito nenhum quer explodir par mostrar ao pessoal que tem vida além do mundinho da vaidade corrupta governamental.
Abraços pros críticos que não tem medo de abrir a boca!